Vale sempre a pena?
- Mesmo quando num manto de fantásticas ironias,
Nas rotineiras palavras, despidas de convicção
Se nos afigurem ainda mais impiedosas as mentiras
E mais autêntica e triste a desilusão?
Vale sempre a pena?
- Mesmo que na cansativa e espezinhada verdade
Nas cruéis certezas, dos sádicos desesperados
Sintamos ser falsa a própria LIBERDADE
Do tão infatigável crer...
poeticamente condenado?
Vale sempre a pena?
- Mesmo quando encontramos fadiga, na herdada DOR
Misturação de morte e vida na alma ainda crente?
- Mesmo quando desmaiamos mo aflitivo realismo do AMOR
E acordamos
No sobressalto de tudo quanto a alma sente?
Vale sempre a pena?
- Mesmo quando nos morrem um punhado de esperanças
Um filho
Um pai
Um esposo, tão amado...
Quando da certeza obtemos somente a desconfiança
E da verdade, toda a tristeza do FRACASSO?
Vale sempre a pena?
Déborah Hellem
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